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Em meus sonhos
vi máquinas enormes, amarelas, destruindo tudo ao seu redor. O pouco
de mato que sobrava estava queimando, os homens carregavam animais mortos,
pendurados em cordas. Em meus sonhos eu via homens que se transformavam
em lobos, e de lobos passavam para Monstros, enormes. Um desses lobos
era suficiente para matar um grupo de homens, alguns até fortemente
armados. Mas a guerra não parecia ser somente contra humanos. Haviam
outras criaturas. Alguns monstros deformados, horríveis, outros, homens-lobo,
como os outros.
O primeiro grupo vinha em sua fúria, matando todos que encontravam à
sua frente. Só que eles estavam fracos, quase sem forças para lutar,
como se a fonte de sua força já estivesse se esgotando. Eles tombavam.
Lutavam bravamente mas tombavam. Todo seu exército estava morrendo,
mas eles não ligavam e continuavam avançando. Quando o grupo de homens-lobo
acabou, eu percebi que havia um outro grupo. Esses homens eram diferentes,
tinham algo em seu olhar que não era como os primeiros. E eu estava
entre eles, maior, mais velho. Vi o momento em que eu me transformei
em um monstro, uma espécie de felino gigante, como os que habitavam
minha terra. Todos éramos parecidos, em corpo e alma, e então avançamos.
De repente, algo surgiu em minha mente. A mensagem era mais do que clara.
A Terra..... não... GAIA estava morrendo. Estava no fim dos seus dias,
o mal havia finalmente prevalecido, estavam com a guerra quase ganha,
e não nos restava nada além de lutar com todas as nossas forças contra
esse mal.
Naquela nova forma, eu me sentia mais forte, mais seguro e, acima de
tudo, mais rápido e ágil. Eu senti meu corpo correndo a uma velocidade
que nunca tinha alcançado antes. Aquele vento quente de fogo batia em
meu rosto, e eu sentia a fúria crescer dentro de mim. A natureza tinha
de ser vingada, e ela seria. Após uma árdua batalha eu matei um grupo
de malditos. Sentia o sangue em minha boca, quente, vivo..... O gosto
da vitória tomou conta do meu corpo, me fazendo rugir... Só que ao olhar
ao meu redor, vi todo meu povo morto. Não restava nenhum da minha raça
sequer. E eu estava cansado, sem forças. Não havia como prosseguir.
Percebi então que havíamos perdido. Não aquela batalha, mas toda a guerra.
Nossos esforços ao longo das gerações haviam sido em vão, e agora não
adiantava mais lutar. Foi apenas uma questão de tempo até o próximo
grupo de malditos chegar, e me decepar a cabeça para usarem como troféu.
É assim, no dia em que a inevitável vitória da wyrm chegar, quando a
natureza for completamente destruída e seus animais todos mortos, que
eu vejo minha morte.
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